O sinal de alerta para o controle do uso de fontes não-renováveis está aceso. De acordo com o Anuário da Agencia Nacional do Petróleo (ANP), a cada um minuto é extraída uma média de seis mil toneladas de petróleo cru do planeta. Apesar de ainda existirem cerca de 136 bilhões de toneladas, se o ritmo de extração continuar no patamar atual, a fonte se esgotará em pouco mais de 40 anos.
Em 2005, somente no Brasil, foram comercializados aproximadamente 39,1 bilhões de litros de diesel. São Paulo foi o Estado que mais consumiu o combustível, com 9,28 milhões de m3, o que equivale a quase todo o consumo dos Estados das regiões Nordeste e Norte do país juntos, que foi de 9,41 milhões de m³.
Atentas à possibilidade de escassez da fonte, algumas empresas estão adotando práticas que substituem a utilização do petróleo. A Refinaria Presidente Bernardes da Petrobras de Cubatão (SP), por exemplo, passou a adotar a técnica “Pinch Technology” para reduzir em 55% o consumo energético na unidade. Para isso, aumentou as trocas térmicas entre as correntes quentes dos derivados produzidos e do petróleo frio a ser aquecido, antes de encaminhá-los para a torre de destilação.
A otimização energética na bateria de pré-aquecimento e o aumento da eficiência dos fornos de destilação atmosférica melhoraram o processo. Antes, a operação era feita com dois fornos, que queimavam óleo e gás combustível para ceder calor ao petróleo. Com as mudanças, apenas um forno é utilizado, queimando somente gás de refinaria, com a recuperação de calor nos trocadores e modificações no forno. A eficiência aumentou de 72% para 80%.
Esses investimentos garantiram à refinaria o primeiro lugar do Prêmio Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia de 2007, na modalidade “Derivados do Petróleo e do Gás Natural”, concedido pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) em parceria com o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), da Eletrobrás, e o Conpet.
A Klabin Papel e Celulose utiliza gás natural - o mais limpo entre os combustíveis de origem fóssil - na matriz energética das unidades de Piracicaba e Jundiaí (SP), Guapimirim e Del Castilho (RJ), Goiana (PE) e Betim (MG). A substituição reduz de 76 para 56 quilos de CO2/gigajoule (GJ) emitido para a atmosfera, ou seja, 26% a menos por unidade de energia. Em 2005, 89% das emissões fósseis foram originadas pelo uso de óleo pesado e 11%, por gás natural.
Outra tecnologia adotada pela Klabin é a Total Chlorine Free (TCF), que consiste na eliminação de uso de cloro elementar no branqueamento da celulose, permitindo contato direto com o produto sem riscos de contaminação. No lugar, entrou o composto de dióxido de cloro, recomendado por autoridades ambientais dos Estados Unidos e União Européia. A tecnologia já é aplicada em Monte Alegre (PR) e faz parte do projeto de expansão da unidade de Correia Pinto (SC).
A Petroquímica Triunfo encaminha resíduos de processo - como óleos, borra oleosa, solventes e acetatos - para co-processamento ou reciclagem no Sistema Centralizado de Controle de Resíduos Sólidos do Pólo Petroquímico do Sul (Sicecors). A empresa também realiza coleta seletiva de resíduos comuns. O material é separado entre recicláveis e não-recicláveis e o RE-SIM - o que pode ser reaproveitado - é enviado para recicladores de papel, plástico, vidro e metais. O RE-NÃO é disposto no aterro do Sicecors.
A média de redução de resíduos da Triunfo foi de 46% e mais de 30% pôde ser reciclado. O investimento com a disposição do RE-NÃO no aterro foi de R$ 111,3 mil. Para o transporte e reciclagem do RE-SIM, investiu-se R$ 28,5 mil.
De olho nos produtos verdes
Segundo dados apurados na pesquisa do II Fórum Ibope de Negócios Sustentáveis, divulgada em setembro de 2007, os consumidores estão atentos ao trabalho realizado pelas organizações no que diz respeito à questão ambiental, principalmente na oferta de produtos “verdes”. Dos entrevistados, 96% acreditam que para a empresa ser sustentável, ela deve adotar programas de preservação de meio ambiente, enquanto que 52% afirmam que só compram produtos de fabricantes que não agridem a natureza, ainda que sejam mais caros. A projeção é que esse número suba para 78% nos próximos anos.
Dentro dessa tendência, as empresas de papel e celulose enxergaram um nicho de mercado e, assim, vêm se consolidando cada vez mais na introdução de suprimentos “verdes” para consumo empresarial e popular. A facilidade de aquisição desses bens, patrocinada pela necessidade de uso elevada no dia-a-dia e pelos preços acessíveis, garante a consolidação dos produtos no mercado.
Um dos principais ícones dos produtos verdes é o papel reciclado. Em 1997, o consumo de aparas e papéis reciclados era de 2.239 por mil toneladas. No ano de 2006, o número foi pra 3.497 por mil toneladas, segundo a Associação Brasileira de Papel e Celulose (Bracelpa).
Com 67% da produção voltada para o segmento de imprimir e escrever, a área de negócios de papel da International Paper desenvolveu, em 2005, as linhas Chamex Eco e Chamequinho Reciclado. O primeiro é 100% composto por fibras recicladas e utiliza-se de matéria-prima básica proveniente de restos de papel do processo produtivo interno e de terceiros. A preocupação com o ambiente também está presente nas embalagens: a empresa foi pioneira na confecção de invólucros com filmes de tecnologia BOPP biodegradável.
A Chamequinho Reciclado, por sua vez, primeira linha ambientalmente responsável voltada ao publico infantil, foi criada para que as futuras gerações desenvolvam a consciência ecológica e valorizem a preservação do meio ambiente, começando pela reutilização de resíduos de papel que seriam enviados ao lixo. O produto é feito a partir de florestas 100% plantadas, renováveis, certificadas e atestadas por entidades especializadas.
A Aracruz aposta na utilização de eucalipto para ampliar a oferta de produtos, pois acredita que ele oferece vantagens em comparação a outras espécies florestais. O clima favorável do Brasil e as pesquisas e tecnologias disponíveis na empresa permitem que a planta seja colhida em apenas sete anos, quando atinge até 35 metros de altura. Esse eucalipto tem o dobro de produtividade em relação às espécies nativas e de coníferas, além de resistência, densidade e propriedades técnicas semelhantes ao carvalho e à faia, e aparência comparável ao mogno e ao jatobá.
De olho em um mercado crescente, a subsidiária Aracruz Produtos de Madeira desenvolveu a marca Lyptus - madeira nobre e advinda de florestas 100% renováveis, localizadas no sul da Bahia e no Espírito Santo. Ela é destinada à confecção de móveis produzidos com tecnologia de ponta e ambientalmente sustentáveis.